Não posso esquecer, mas posso perdoar!
sábado, 18 de julho de 2009
AVISO DA LUA QUE MENSTRUA
Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
às vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia
metade legível, metade sereia.
Barriga cresce, explode humanidades
e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
mas é outro lugar, aí é que está:
cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita..
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
transforma fato em elemento
a tudo refoga, ferve, frita
ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
é que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
é que tô falando na "vera"
conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
ou sem os devidos cortejos...
Às vezes pela ponte de um beijo
já se alcança a "cidade secreta"
a Atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
cai na condição de ser displicente
diante da própria serpente
Ela é uma cobra de avental
Não despreze a meditação doméstica
É da poeira do cotidiano
que a mulher extrai filosofando
cozinhando, costurando e você chega com a mão no bolso
julgando a arte do almoço: Eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
então esquece de morder devagar
esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
VACA é sua mãe. De leite.
Vaca e galinha...
ora, não ofende. Enaltece, elogia:
comparando rainha com rainha
óvulo, ovo e leite
pensando que está agredindo
que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
às vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia
metade legível, metade sereia.
Barriga cresce, explode humanidades
e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
mas é outro lugar, aí é que está:
cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita..
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
transforma fato em elemento
a tudo refoga, ferve, frita
ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
é que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
é que tô falando na "vera"
conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
ou sem os devidos cortejos...
Às vezes pela ponte de um beijo
já se alcança a "cidade secreta"
a Atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
cai na condição de ser displicente
diante da própria serpente
Ela é uma cobra de avental
Não despreze a meditação doméstica
É da poeira do cotidiano
que a mulher extrai filosofando
cozinhando, costurando e você chega com a mão no bolso
julgando a arte do almoço: Eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
então esquece de morder devagar
esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
VACA é sua mãe. De leite.
Vaca e galinha...
ora, não ofende. Enaltece, elogia:
comparando rainha com rainha
óvulo, ovo e leite
pensando que está agredindo
que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!
NÃO É NADA PREOCUPANTE - A BELA VALERIE
Mas isso não é nada preocupante, ou mesmo perigoso. São apenas pequenas coisas que gostaríamos de esclarecer um dia. Depois de quase cinco anos de resistência, finalmente fui convencido por uma amiga a comprar um carro. Não que eu odiasse a idéia de possuir um automóvel, mas eu abominava a possibilidade de ficar preso em engarrafamentos desnecessários. Além disso, havia a manutenção, reabastecimento, lavagem e enceramento de domingo, caronas para a mãe fazer compras, rodízio de primavera, verão, outono e inverno. Mais malefício que vantagens. Mas enfim. Estava com meu Corsa cinza escuro (extasiante a sensação de dizer 'meu Corsa', não?) na Avenida 23 de maio, digerindo um catastrófico engarrafamento e um não menos horrendo horário político gratuito no rádio. Mas, como as coisas sempre podem ser piores, elas foram. Um Vectra preto, de vidros laterais espelhados, placa VF 0893, bateu generosamente na traseira de meu carro semi-novo. Desesperada, uma mulher esguia, de cabelos castanhos na altura do ombro, com esplêndidos olhos castanho-claro, e a boca de lábios superiores finos como um filete de água, parecidos com os da Winona Rider, desceu acenando-me. Estava metida num vestido preto que moldava-lhe o corpo, com uma longa echarpe vermelha enrolada no pescoço. Imediatamente, qualquer possibilidade de irritar-me dissipou-se no monóxido de carbono que respirávamos. Mas permanecia o problema: como eu, na corda bamba entre o banco e a financiadora, poderia arcar com os prejuízos de um imponente Vectra em meu impotente Corsa? A mulher acalmou-se, dizendo que isso nunca poderia ter acontecido, pois estava só de passagem por São Paulo, ficando apenas mais dois dias na cidade. Pegou sua bolsa, velha e desgastada, totalmente dissonante do resto de seu modelito. Não que eu sequer pudesse dizer-lhe isso. Estava hipnotizado por aquele rosto. Ela obrigou-me a estimar um valor para os reparos, super-faturando o cheque do banco Sudameris que me entregou. Agradeceu, desculpou-se, agradeceu novamente e partiu em seu carro para uma das travessas da Vinte e Três. Eu também parti, meia hora depois, quando consegui sair do atolamento de carros do horário de pico. Enquanto esperava sair daquela tortura diária, já pensando em vender o carro, decidi dar uma olhada no cheque. Foi quando me dei conta que o banco Sudameris, onde deveria sacar o cheque, havia falido há anos, sendo absorvido por outro, e gargalhei de mim mesmo, não pelo dinheiro que havia perdido, mas em função do que um rosto bonito faz com um homem. Mas, como a esperança é a última que morre (eu a imagino soprando fôlego no corpo recém falecido), fui no dia seguinte até minha seguradora, onde a atendente me instruiu a procurar o banco surgido da compra do Sudameris, fornecendo-me inclusive o endereço dele. Não perdia nada em tentar. Chegando lá, o gerente me atendeu, ficando surpreso ao verificar a data no cheque, do dia anterior. Só que de cinco anos antes. Checando seus arquivos, certificou-se da existência da conta, com exatamente R$0,66 a mais que o valor escrito no papel tremulando em suas mãos. Constava um bilhete na ficha da correntista, informando ser aquele valor o restante de sua herança. Nesse momento, ainda surpreso, pedi ao gerente o endereço da simpática desconhecida que me entregara sua herança com meia década de atraso. Fui orientado a dirigir-me ao caixa, e recebi junto com dinheiro um endereço e um nome: Valerie Faris. Meio aturdido, prossegui a toda para o endereço no Ibirapuera. Nem sei ainda porque não fui multado por excesso de velocidade. Chegando no local, invés de uma morena estonteante, fiquei tonto com a placa 'VENDE-SE' pendurada na parede externa. Dali, parti imediatamente à imobiliária responsável pela venda, apenas para a recepcionista informar-me que, se efetuada, a venda serviria para cobrir os impostos atrasados. A dona da propriedade? Havia falecido há cinco anos. Eu seria um idiota se acreditasse que uma linda defunta amassara o meu carro. O estrago era real, e o dinheiro no meu bolso também. Como já estava ali mesmo, fui até o DETRAN, responsável pelo registro e paradeiro de (quase) todos os carros da cidade. Lembrava-me da placa, e ela seria meu passaporte para encontrar a misteriosa francesa. Preenchi uma dezena de formulários, enfrentei umas quatro filas, respondi a um interrogatório absurdo, parecendo até que eu era responsável pela morte da Srta. Faris. Mandaram-me retornar dois dias depois para receber o resultado da pesquisa, e a indicação do paradeiro do automóvel. Mas, retruquei, dois dias ultrapassam meu prazo para encontrá-la, já que afirmara ficar somente mais dois dias na cidade, ontem. Como funcionários públicos não são dados a contra-argumentos, repetiram-me o prazo e chamaram o próximo. Desistindo da minha busca, levei o maldito carro à concessionária, devendo buscá-lo em dez dias. Nesse período de espera, adiaram a entrega da pesquisa quatro vezes, por cerca de três semanas. Peguei meu carro e, decididamente, iria vendê-lo. Foi quando num sábado, daqueles preguiçosos, quando você quer dormir até doer o corpo, acordaram-me aos gritos. O entregador motorizado do departamento de pesquisa, terceirizado, trazia uma carta registrada, contendo o resultado do solicitado. Naquele dia, a última coisa que me lembrava era do meu carro, ainda em reparo, da mulher e da miserável pesquisa, que me tirara da cama. Quando abri o envelope, esperando encontrar um 'sinto muito, não podemos ajudá-lo', encontrei um endereço detalhado, inclusive com um mapa, e um número estranho, parecido com aqueles de apartamento em condomínio, D165. Planejei ler meu jornal, pegar meu carro e encontrar o endereço, mas esqueceram de entregar o jornal, o carro não estava pronto e eu não sabia o caminho do local. E o motoqueiro ainda queria gorjeta. Quatro ônibus depois, cheguei à Avenida Nações Unidas, e entrei no prédio da portaria do número indicado. Fui conduzido por um policial até um grande pátio, com vagas de automóvel numeradas e corredores identificados por letras. Ficou fácil, corredor D, vaga 165, e lá estava o Vectra, abalroado na dianteira com a forma do meu carro, a mesma placa, mas incrivelmente deteriorado pela ferrugem e pela ação do tempo. Perguntei ao policial há quanto o carro estava ali, e recebi a resposta que temia: cerca de cinco anos. Vasculhando a parte externa do automóvel, pude ver algo vermelho brilhando no sol. Chegando perto, achei a echarpe de Valerie enrolada no volante. Não tive coragem de pegá-la, tampouco de procurar onde estava enterrada. Voltei para casa, peguei meu carro e hoje vou trabalhar de metrô. Mas isso não é nada preocupante, ou mesmo perigoso. São apenas pequenas coisas que gostaríamos de esclarecer um dia.
A ALEGRIA DOS PEIXES
Chuang Tzu e Hui Tzu atravessavam o rio Hão pelo açude.
Disse Chuang:
"Veja como os peixes pulam e correm tão livremente: isto é a sua felicidade".
Respondeu Hui:
"Desde que você não é um peixe, como sabe o que torna os peixes felizes?"
Chuang respondeu:
"Desde que você não é eu, como é possível que saiba que eu não sei o que torna os peixes felizes?"
Hui argumentou:
"Se eu, não sendo você, não posso saber o que você sabe, daí se conclui que você, não sendo peixe, não pode saber o que eles sabem."
Disse Chuang:
"Um momento: Vamos retornar à pergunta primitiva. O que você me perguntou foi ‘Como você sabe o que torna os peixes felizes?’ Dos termos da pergunta você sabe evidentemente que eu sei o que torna os peixes felizes. Conheço as alegrias dos peixes no rio através de minha própria alegria, à medida que vou caminhando à beira do mesmo rio".
(extraído de Thomas Merton, “A via de Chuang Tzu”, Editora Vozes)
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
A CARTA DE UM HOMEM SOBRE AS MULHERES
Não importa o quanto pesa. É fascinante tocar, abraçar e acariciar o corpo de uma mulher. Saber seu peso não nos proporciona nenhuma emoção. Não temos a menor idéia de qual seja seu manequim. Nossa avaliação é visual. Isso quer dizer, se tem forma de guitarra está bem. Não nos importa quanto medem em centímetros - é uma questão de proporções, não de medidas. As proporções ideais do corpo de uma mulher são: curvilíneas, cheinhas, femininas... Essa classe de corpo que, sem dúvida, se nota numa fração de segundo. As muito magrinhas que desfilam nas passarelas seguem a tendência desenhada por estilistas que, diga-se de passagem, são todos gays, e odeiam as mulheres e com elas competem. Suas modas são muito retas e sem formas, e parecem agredir o corpo maravihoso das mulheres. Não há beleza mais irresistível na mulher do que a feminilidade e a doçura. A elegância e o bom trato são equivalentes a mil viagras. A maquiagem foi inventada para que as mulheres a usem. Usem! Para andar de cara lavada, basta a nossa, sem graça. Os cabelos, quanto mais tratados, melhor. As saias foram inventadas para mostrar suas magníficas pernas. Por que razão as cobrem sempre com calças longas? Para que as confundam conosco? Uma onda é uma onda, as cadeiras são cadeiras, e pronto. Se a natureza lhes deu estas formas curvilíneas, foi por alguma razão, e eu reitero: nós gostamos assim. Ocultar essas formas, é como ter o melhor sofá embalado no sótão. É essa a lei da natureza... Que todo aquele que se casa com uma modelo magra, anoréxica, bulímiaca e nervosa logo procura uma amante cheinha, simpática, tranqüila e cheia de saúde. Entendam de uma vez! Procurem agradar a nós, e não só a vocês; porque nunca terão uma referência objetiva, do quanto são lindas e maravilhosas, dita por uma mulher. Nenhuma mulher vai reconhecer jamais, diante de um homem, com sinceridade, que outra mulher é simplesmente linda! As jovens são lindas, mas as de 30 para cima são verdadeiros pratos fortes. Por Karina Zzocco, Eva Longaria, Angelina Jolie ou Demi Moore, somos capazes de atravessar o Atlântico a nado. O corpo muda, cresce. Não podem pensar, sem ficarem psicóticas, que podem entrar no mesmo vestido que usavam aos 18. Entretanto, uma mulher de 45, que entre na roupa que usou aos 18 anos, ou tem problemas de desenvolvimento, ou está se auto-destruindo. Nós gostamos das mulheres que sabem conduzir sua vida com equilíbrio, alegres, e que sabem controlar sua natural tendência à culpas. Ou seja, aquela que quando tem que comer, come com vontade (a dieta virá em setembro, não antes); quando tem que fazer dieta, faz dieta com vontade (não se sabota e não sofre); quando tem que ter intimidade com o parceiro, tem com vontade; quando tem que comprar algo que goste, compra; quando tem que economizar, economiza. Algumas linhas no rosto, algumas cicatrizes no ventre, algumas marcas de estrias não lhes tira a beleza. São feridas de guerra, testemunhas de que fizeram algo em suas vidas, não tiveram anos 'em formol', nem em Spa... Viveram! O corpo da mulher é a prova de que Deus existe. É o sagrado recinto da gestação de todos os homens, onde foram alimentados, ninados e nós, sem querer, as enchemos de estrias, de cesárias e demais coisas que tiveram que acontecer para estarmos vivos. Cuidem-no! Cuidem-se! Amem-se! A beleza é tudo isto. Tudo junto!
A ALMA ILUMINADA
Está na hora de as pessoas perceberem que a sua evolução tem valido a pena. Daqui do céu consigo ver as luzes, a alegria das almas que finalmente encontraram a luz. Essas almas hoje estão mais livres do que nunca. Estão mais iluminadas, mais esclarecidas. Este nome é simbólico. É como que um contributo, uma homenagem dos habitantes do céu a estes homens navegantes do tempo, por todas as batalhas perpetradas em nome da evolução da Humanidade. É uma homenagem que vos queremos fazer. Queremos que saibam que estamos atentos cá em cima, a perceber as dificuldades e a apontar caminhos. Caminhos difíceis às vezes, mas essenciais na sua natureza. Almas iluminadas são as vossas, que conseguem sobreviver na densidade, que conseguem perpetuar a espécie sem ter medo da própria vida. Sem ter medo dos medos, da perda, da desgraça, do infortúnio, da maldade e da doença. Sem ter medo de nada. Ou melhor, encarando o seu medo e trabalhando a sua crença. Mais do que tudo, as almas iluminadas conseguem acreditar. Ter fé que o homem vai acordar do seu entorpecimento milenar a tempo, voltando finalmente para o céu. E para si próprio, para os seus anseios, para os seus ideais, para os seus sonhos. Almas iluminadas são aquelas que já não têm medo do medo, e conseguem pôr o dedo na ferida. Conseguem tratar-se, conseguem curar-se, conseguem inclusive ser cada vez mais felizes. Almas iluminadas são vocês.
(Do livro "A Alma Iluminada")
A PONTE
Conta-se que, certa vez, dois irmãos que moravam em fazendas vizinhas, separadas apenas por um riacho, entraram em conflito. Foi a primeira grande desavença em toda uma vida trabalhando lado a lado, repartindo as ferramentas e cuidando um do outro. Durante anos eles percorreram uma estrada estreita e muito comprida, que seguia ao longo do rio para, ao final de cada dia, poderem atravessá-lo e desfrutar um da companhia do outro. Apesar do cansaço, faziam a caminhada com prazer, pois se amavam. Mas agora tudo havia mudado. O que começara com um pequeno mal-entendido finalmente explodiu numa troca de palavras ríspidas, seguidas por semanas de total silêncio. Numa manhã, o irmão mais velho ouviu baterem na sua porta. Ao abri-la notou um homem com uma caixa de ferramentas de carpinteiro na mão. "Estou procurando trabalho" - disse ele. "Talvez você tenha um pequeno serviço que eu possa executar." "Sim!" - disse o fazendeiro - "claro que tenho trabalho para você. Veja aquela fazenda além do riacho. É do meu vizinho. Na realidade, meu irmão mais novo. Nós brigamos e não posso mais suportá-lo. Vê aquela pilha de madeira perto do celeiro? Quero que você construa uma cerca bem alta ao longo do rio para que eu não precise mais vê-lo." "Acho que entendo a situação" - disse o carpinteiro. "Mostre-me onde estão a pá e os pregos que certamente farei um trabalho que lhe deixará satisfeito." Como precisava ir à cidade, o irmão mais velho ajudou o carpinteiro a encontrar o material e partiu. O homem trabalhou arduamente durante todo aquele dia medindo, cortando e pregando. Já anoitecia quando terminou sua obra. O fazendeiro chegou da sua viagem e seus olhos não podiam acreditar no que viam. Não havia qualquer cerca! Em vez da cerca havia uma ponte que ligava as duas margens do riacho. Era realmente um belo trabalho, mas o fazendeiro ficou enfurecido e falou: "Você foi muito atrevido construindo essa ponte após tudo que lhe contei." No entanto, as surpresas não haviam terminado. Ao olhar novamentepara a ponte, viu seu irmão aproximando-se da outra margem, correndo com os braços abertos. Por um instante permaneceu imóvel de seu lado do rio. Mas, de repente, num só impulso, correu na direção do outro e abraçaram-se chorando no meio da ponte. O carpinteiro estava partindo com sua caixa de ferramentas quando o irmão que o contratou pediu-lhe emocionado: "Espere! Fique conosco mais alguns dias." E o carpinteiro respondeu: "Eu adoraria ficar, mas, infelizmente, tenho muitas outras pontes para construir." E você, está precisando de um carpinteiro, ou é capaz de construir sua própria ponte para se aproximar daqueles com os quais rompeu contato? Há uma razão muito especial para elas fazerem parte do seu círculo de relação. Por isso, não busque isolar-se construindo cercas que separam e infelicitam os seres. Construa pontes e busque caminhar na direção daqueles que, por ventura, estejam distanciados de você. E se a ponte da relação está um pouco frágil, ou balançando por causa dos ventos da discórdia, fortaleça-a com os laços do entendimento e da verdadeira amizade. Agindo assim, você suprirá suas carências afetivas e encontrará a paz íntima que tanto deseja.
QUERO MAIS
Pai, quero mais! Não quero deter-me à causa física, não quero limitar-me às dores, quero transcender a existência! Pai, quero mais! Quero entender-Te, chegar-me a Ti, quero ajudar-Te aqui, não quero existir, mas viver em Ti. Pai, quero mais! Não quero ir morar em Teu céu, mas quero trazer Teu céu para todos os homens, quero me resplandecer e transbordar no amor de ser feliz e de viver em paz entre os homens e mulheres. Quero amar sem fronteiras, trabalhar sem bandeiras e comungar sem barreiras Teu amor infinito que mora em meu peito e que tanto mais quero fazer crescer! Pai, quero mais! Não só viver em Ti, mas viver em Ti e Te viver comigo e dentre todos os homens e seres viventes deste maravilhoso planeta, lar e escola. Quero comungar a mesma mesa e mesmo sorriso e prazer com todos que encontrar pela frente e todos que procurarem a Luz. Desejo transcender o ranço negativo do racismo néscio dos seres atrasados. Desejo despontar e traspassar a arrogância maldita que destaca o orgulho obsceno dos homens. Desejo voar, flutuar pelos ares, volitar nos pomares, de amor ser radares, almejar os luares, mergulhar fundos mares, não para conquistar a terra, mas o coração dos homens. Que assim seja!
O CHEQUE
Era uma vez um rapaz que ia muito mal na escola. Suas notas e o seu comportamento eram uma decepção para seus pais que sonhavam em vê-lo formado e bem sucedido. Um belo dia, o bom pai lhe propôs um acordo: "Se você, meu filho, mudar seu comportamento, se dedicar aos estudos e conseguir ser aprovado no vestibular para a Faculdade de Medicina, lhe darei então um belo carro de presente..." Por causa desse carro, o rapaz mudou da água para o vinho. Passou a estudar como nunca e a ter um comportamento exemplar. Mas, o pai, embora feliz, ainda tinha uma preocupação. Sabia que a mudança do rapaz não era fruto de uma conversa sincera, mas apenas do interesse em obter o automóvel... E isso poderia ser um mau sinal! O rapaz seguia os estudos e aguardava o resultado de seus esforços. Assim, o grande dia chegou! Fora aprovado para o curso de Medicina... Como havia prometido, o pai convidou a família e os amigos para uma festa de comemoração. O rapaz tinha por certo que na festa o pai lhe daria o automóvel prometido... Quando pediu a palavra, o pai elogiou o resultado obtido pelo filho e lhe passou às mãos uma caixa de presente... Crendo que ali estavam as chaves do carro, o rapaz abriu emocionado o pacote e, para sua surpresa, havia ali "apenas" uma Bíblia Sagrada. O rapaz ficou visivelmente decepcionado com o pai, e nada mais disse... A partir daquele dia, o silêncio e a distância separaram pai e filho... O jovem se sentia traído e, agora, lutava para ser independente... Deixou a casa dos pais e foi morar no Campus da Universidade... Raramente mandava noticias à família... O tempo passou, ele se formou, conseguiu um emprego em um bom hospital e se esqueceu completamente do pai. Em todo esse tempo, as tentativas do pai para reatar os laços sempre foram em vão... Até que um dia o velho, muito triste com a situação, adoeceu e não resistiu... Faleceu... No enterro, a mãe entregou ao filho, indiferente, aquela Bíblia que tinha sido o último presente do pai, e que ele havia deixada para trás... De volta à sua casa, o rapaz, que nunca perdoara o pai, quando colocou o livro numa estante, notou que havia um envelope dentro dele... Ao abri-lo, encontrou uma carta e um cheque... A carta dizia: "Meu querido filho, sei o quanto você deseja ter um carro. Eu prometi e aqui está o cheque para que você escolha o carro que mais lhe agradar. No entanto, fiz questão de lhe dar um presente ainda melhor: A Bíblia Sagrada. Nela aprenderás o Amor de Deus e a fazer o bem, não pelo prazer da recompensa, mas pela gratidão e pelo dever de consciência." Agora, corroído pelo remorso, o filho cai em profundo pranto... E a carta ainda finalizava assim: "Como é triste a vida dos que não sabem perdoar. Isso leva a erros terríveis e a um fim ainda pior. Antes que seja tarde, perdoe aquele a quem você pode ter feito mal. Talvez se olhar com cuidado, vai ver que há também um cheque escondido."
SÁBIOS PORCOS-ESPINHO
Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio. Os porcos-espinho, percebendo esta situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente. Mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que forneciam calor. E, por isso, tornavam a se afastar uns dos outros. Voltaram a morrer congelados e precisavam fazer uma escolha: desapareceriam da face da Terra ou aceitavam os espinhos do semelhante. Com sabedoria, decidiram voltar e ficar juntos. Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que uma relação muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro. Sobreviveram! O melhor relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aceita os defeitos do outro, e consegue perdão pelos próprios defeitos. Para os erros, o perdão! Para os fracassos, uma nova chance! Para os sonhos amorosos, a certeza do amor! A lei da mente é implacável. O que você pensa, você cria. O que você sente, você atrai. O que você acredita, torna-se realidade.
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